quinta-feira, 20 de abril de 2017

Dê Mais Coração

Olá queridos amigos e seguidores. Tudo bem? Muitas vezes a correria do nosso dia a dia, nos deixam sem muitas chances de parar para escrever e partilhar reflexões, que poderiam nos ajudar em nossa caminhada. Assim aconteceu comigo em relação a este Blog. Mas nunca é tarde para recomeçar. Não prometo atualização diária, mas também não o deixarei mais às traças.

Quero propor para hoje um breve reflexão em relação ao tema do momento: o famoso desafio da Baleia Azul. Em primeiro lugar, gostaria de dizer que a pobre Baleia Azul, não tem nada a ver com isso. É um animal em extinção, devido a caça predatória, e hoje preservada no mundo inteiro. Estima-se em torno de 1.500 baleias no mundo. Para esta barbárie que estão fazendo com a nossa juventude, acho que o nome "Baleia Azul" não faz jus. Sim, sabe-se que é um animal propenso ao suicídio, pois procura as águas rasas do oceano, para morrer, sobretudo quando estão doentes. Porém, outros detalhes dão destaques mais positivos do que negativos. Ela não é um animal feroz. É carnívora, mas não é igual a um tubarão ou a um crocodilo. As Orcas sim, são as famosas Baleias Assassinas. Outro fator em relação a este desafio estapafúrdio, a essa relação descabida é que a Baleia Azul vive em oceanos e geralmente em boas profundidades. Não é um animal que vive no raso. Em contrapartida, a mente das pessoas criadoras do desafio da Baleia Azul, e muitas pessoas que a praticam, são pessoas rasas. Não existe sinal de profundidade, de espírito pleno nessas pessoas. Por isso acho que o animal usado para tal ignorância humana está equivocado: poderia ser um morcego, um crocodilo, uma baleia Orca etc, mas não uma baleia azul.

Nomenclatura à parte, vamos ao que interessa. A principal pergunta é: o que nós, gente do bem e não-rasos, poderemos fazer para ajudar esses adolescentes e jovens que não descobriram ainda a profundidade da vida e vivem no mais raso dos oceanos? O que podemos fazer para que eles não encalhem...ou se já estiverem encalhados na parte rasa do mar da vida, o que podemos fazer?
Tenho visto em várias postagens do Facebook, de grupos de Whatsapp e outras redes sociais, muitas críticas e brincadeiras em relação a esses adolescentes e jovens seguidores do desafio. São adolescentes, jovens normais, como qualquer outro. Enganam-se quem acha que são pessoas doentes; que são adolescentes que não têm nada para fazer ou que precisam de uma boa surra para mudarem de atitudes. As pessoas inteligentes e de bom senso sabem que o caminho não é esse. Simplesmente são pessoas que recebem pouca atenção dos pais, dos amigos, dos professores etc. É impossível um pai, ou uma mãe, ou um amigo ou um professor não perceber num adolescente, por exemplo, que algo está errado com ele. Se lermos os 50 desafios propostos, vamos perceber o número de mutilações e ferimentos que essas pessoas realizam no próprio corpo. Um deles, é na própria palma da mão. Será que ninguém percebe isso? Ou será que muitos adolescentes pulam os desafios e já vão direto para o 50º que é o suicídio? A dúvida é: esses jovens já são propensos a um suicídio sem mesmo aderir ao jogo da Baleia Azul? Estão apenas se aproveitando da situação para posteriormente justificar sua ação? É de se pensar. Outro detalhe que me chama a atenção sobre o perfil desses adolescentes, é que na sua maioria pertencem a classe social mais vulneráveis; jovens que vivem na periferia e estudam em escolas públicas (conforme levantamento feito em Curitiba com os 7 adolescentes que deram entrada nos hospitais na madrugado do dia 18/04). O que isso nos sugere? A cultura não estaria por detrás desses suicídios? Os jogos, os filmes, as músicas, não atraem de certa forma a uma atitude suicida? A falta de atenção, de oportunidades, de lazer, de amigos não ajudam tal comportamento? A sociedade está cheia de pessoas que sabem apenas criticar, mas não são capazes de mover uma agulha para ajudar um adolescente ou jovem a descobrir as águas profundas da vida; não conseguem nem mesmo olhar nos olhos ou caminhar alguns passos juntos. O que falta é atenção. O que falta não é "cinta azul", "chinelo azul" ou outro tipo de violência. O que esses adolescentes e jovens necessitam é de um "coração vermelho", de sangue quente, que emana atenção, carinho e bondade; o que eles precisam é de justiça; de atenção, de oportunidades, de lazer sadio, de palavras sensatas e sinceras; eles precisam de alguém que aponte algum caminho, que mostre que outro tipo de vida é capaz. Sabemos que o índice do suicídio no Brasil e no mundo de jovens, é alto e vão além do desafio da Baleia Azul. Temos alguns casos de suicídio provocados por esse jogo macabro, porém, você se dá conta das centenas de suicídios diários que nada tem a ver com esses desafios? Mas que alguns motivos, por vezes banais, são por causa de bullyings,  de falta de atenção dos pais, falta de amigos etc. Mais uma vez pergunto: o que podemos fazer? Tenho certeza de que existe algo ao nosso alcance. Vamos pensar juntos, vamos nos unir e deixar a barreira do preconceito de lado; deixar nossos pre-julgamentos em relação a essas atitudes; vamos sim fazer a campanha do Coração Vermelho, do Coração Bondoso; vamos ser criativos e fazer uma campanha de adoção: Adote um coração abandonado; uma campanha que leve nossos jovens da beira para o mais profundo; vamos incentivar nossa juventude a crescer, a participar de grupos de jovens; vamos incentivar nossos jovens a ler algo que vai além do Hary Potter ou Narnia; a assistir filmes que agreguem valores; escutar músicas construtivas. Percebam quantas campanhas nós poderíamos fazer juntos. E a dica é: comecem em suas casas. Sente com seus filhos, com seus amigos, com aquelas pessoas que você acha que precisam de um olhar sincero, de uma palavra amiga; leve-o para passear, para ver coisas bonitas da vida;incentive-os a um gesto de carinho, a um ato de solidariedade. Mas não o deixe sozinho. Vá junto, faça junto. As palavras comovem, mas os exemplos arrastam. Vamos fazer voltar para a nossa sociedade o costume da Solidariedade, já em extinção a exemplo da Baleia Azul? Vamos adotar o simbolo do coração para mostrar que somos capazes de oferecer a eles um coração que pulsa e vibra para a vida ao invés de uma cinta ou chinelo azul? Que tal? Topa o desafio?

Inspiração: Campanha que vi em Lisboa. Vejam que sensacional

Campanha Dê Mais Coração - Lisboa



4 comentários:

carlosj disse...

O segredo está em casa com os pais,o trabalho fora o dia todo, a falta de atenção, carinho, abraço, educação,são primordiais para um crescimento saudável de um adolescente.Tudo começa qdo a falta do não, é trocada por pode fazer o que quiser, dar o que quiser,para compensar a ausência afetiva,ou presença. A falta de diálogo, abraços, um eu te amo.A aceitação das coisas erradas,a falta de comunicação e correção, é o começo do abismo que vai acontecer lá na frente. Infelizmente isto que está acontecendo é apenas o começo das dores.

João Batista Pereira disse...

É isso ai. Concordo plenamente com você mano. Que Deus te abençoe.

Clarissa disse...

Gostei do texto tio. Concordo plenamente.

João Batista Pereira disse...

Obrigado Clarissa pelo comentário.