segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Perdidos na Neve hoje

O fato

Há 188 anos, precisamente no dia 14 de fevereiro de 1823, o Pe. Champagnat e o Ir. Estanislau se perdem durante uma terrível nevasca. Era uma noite negra, sem qualquer luz. Ambos já haviam caminhado por quase duas horas, mas a tempestade fizera desaparecer todos os atalhos e veredas do caminho. Sem nenhuma noção de direção, de espaço e localização, ambos já quase desfalecidos, veem a morte se aproximar. O Ir. Estanislau já não aguentava mais, a ponto de o Pe. Champagnat ter que sustentá-lo. Não resistindo as crueldades do tempo o irmão desmaia. Champagnat não exita, e com sua fé inabalável reza a Boa Mãe Maria, seu Recurso de todos os dias, uma oração, onde pede o seu auxílio. Não tarda muito e logo aparece uma luz ao longe. Champagnat vê a sua frente um simples casebre um lenhador, que os acolhe por aquela noite e ambos se salvam milagrosamente.

 A realidade atual
Em meu contato diário com a juventude, tenho escutado muitos relatos de jovens completamente “perdidos na neve”. A exemplo do fato acima os encontro em uma noite negra, sem qualquer luz.
Não é muito difícil de perceber esses jovens por ai. Interessante como nos dias atuais o jovem tem uma facilidade muito grande de comunicar ao mundo os seus sentimentos. Não precisamos mais nos preocupar em tentar advinhar o que se passa em sua cabeça, quais os seus sentimentos e as suas angustia. De um lado ficou muito bom isso, pois dessa forma poderemos agir de forma mais direta e abordar o jovem, oferecendo nossa ajuda, nossa amizade e compreensão. Por outro lado, poderiam se aproveitar dessa oportunidade aquelas pessoas que oferecem outro tipo de ajuda, levando os jovens por veredas perigosas, por caminhos que muitas vezes não têm mais volta. Em uma das nossas reuniões com os pais dos alunos do TECPUC, meu amigo e companheiro de trabalho Jefferson usou a seguinte frase: “quando não damos colo aos nossos filhos, com certeza tem muitas outras pessoas que oferecem esse colo”. Essa frase me fez pensar em tantos jovens “perdidos na neve” que vão pedir socorro a essas outras pessoas, que com segundas intenções oferecem de imediato o seu colo.
Ontem comentava com um amigo como me impressionava o número de jovens que postam no twitter os seus problemas. Obviamente que é de uma forma velada, com palavras de dúbios sentidos, que dependem de interpretações, mas que para alguém que trabalha há tanto tempo com a juventude fica muito fácil de perceber os gritos de socorro desses jovens, caminhando por um vale nevado, sem visão, escuro, frio em busca de uma LUZ.
 O Pe, Champagnat recorreu com muita fé a Maria, nossa Boa Mãe que veio em seu socorro. E nós, a quem recorremos quando estamos “perdidos na neve”? Buscamos essa LUZ que poderá nos salvar de morrermos congelados, ou preferimos de fato desfalecer e morrer de frio? Preferimos continuar com esse coração gelado, de pedra, ou buscamos um coração cálido e de carne? Trilhamos por caminhos visíveis ou optamos pelos caminhos tenebrosos, escuros e sem possibilidade nenhuma de encontrar um casebre com uma luz? Quem nos acolhe nos braços ou no colo quando estamos “perdidos na neve”? Ou melhor, a quem buscamos quando nos sentimos assim? Ainda acreditamos na possibilidade de encontrar uma luz que pode nos guiar ou uma fogueira que possa nos aquecer?
Queridos amigos e amigas, a nossa vida merece muitas chances. Muitas oportunidades são nos oferecidas diariamente, mas a “nevasca” nos impede de ver. O caminho escuro nos tira essa possibilidade de ver tantas coisas bonitas que a vida nos oferece. Acredito na força jovem que brota de seu coração; acredito na sua dedicação, no seu empenho e esforço para encontrar a luz, o caminho, a fogueira abrasadora que poderá te salvar de cair em colo errado. Basta ter coragem e fé, assim como teve Champagnat, que foi forte e acreditou que poderia encontrar uma luz salvadora. Por isso te convido a rezar a mesma oração que o Pe. Champagnat rezou naquele momento, o “Lembrai-vos”. Depois disso, abra os olhos e vislumbre na sua frente a luz que você tanto procurava. ACREDITE, ela existe.

Lembrai-Vos – uma adaptação para o jovem de hoje (Brother John)

Ó querida Mãe Maria!
Eu nunca ouvi dizer que você
abandonou alguém que
pediu a sua ajuda.
Na verdade, eu nem sei rezar direito, mas to aqui
para pedir a sua ajuda.
Estou bem animado e também com muita confiança,
em você, querida mãe de Jesus, por isso
venho aqui te pedir uma coisa, como se estivesse pedindo a minha mãe.
Ah, eu sei que erro muito na minha vida e que não sou um bom jovem,  
mas mesmo assim eu venho aqui, bem pertinho de você para te pedir
que olhe por mim e por todos meus amigos “perdidos” nas noites escuras da vida.
Olhai com bondade esse meu pedido,
ó querida mãe de Jesus, e se for da vontade de Deus
que eu seja atendido. Amen.

Um abração do @Brotherjohnp

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Apaixonar-se!

Adicionar legenda

Ontem estava lendo um livro e me deparei com o seguinte poema:

Apaixona-te: Muda o teu mundo 

“Não há nada mais prático
do que encontrar Deus;
ou seja, apaixonar-se por Ele de um modo absoluto, até ao fim.

Aquilo pelo qual estás apaixonado
agarra a tua imaginação
e acaba por ir deixando a sua marca em tudo.

Determinará o que te faz sair da cama cada manhã,
o que fazes com as tuas tardes,
como passas os teus fins-de-semana, o que lês,
o que conheces, o que te faz sentir o coração desfeito,
e o que te faz transbordar de alegria e gratidão
Apaixona-te! Permanece no amor!
Tudo passará a ser diferente"

Pe. Pedro Arrupe, sj

                                                                                                                                                                 

Confesso que fiquei um bom tempo refletindo este texto. Fiquei imaginando o que seria de nós se não existisse esse sentimento, a paixão, que mexe com todo nosso ser e nos faz, muitas vezes, cometer loucuras.
Você já imaginou como muitas coisas seriam diferentes se de fato apaixonássemos de verdade? Não quero entrar aqui no mérito do significado desta palavra em sua totalidade e nem comparar com o amor. Não quero discorrer aqui a diferença entre paixão e amor, mas simplesmente deixar que esse sentimento toque o seu ser.
Não sei por que, mas me senti muito motivado ao ler este poema. Deu-me um maior vigor e uma alegria interior muito grande. Fiquei pensando nos meus jovens que já perderam o sentido da vida; nos jovens que não têm mais respeito e nem admiração pelos seus pais; nos jovens que já não tem mais nenhum sentido para amar e nem para apaixonar-se; nos jovens que não se engajam em nenhuma causa; nos jovens que não acreditam mais em Deus e nem na própria religião; nos jovens que já perderam o brilho do olhar; nos jovens que perderam a sensibilidade diante de situações em que o coração falaria mais alto; nos jovens que já esqueceram o verdadeiro sentido do amor... enfim em todos os jovens que não sabem o que é apaixonar-se.
Ainda ontem, ao ler alguns recados no twitter, deparei-me com frases de jovens deprimidos, tristes e quase sem sentido na vida. Fiquei imaginando se esses jovens de fato já se apaixonaram de verdade. A paixão pode mudar muita coisa em nossa vida. Partindo da mensagem deixada pelo poema acima, de uma pessoa que se apaixona por Deus, começa a ver sentido em tudo e a vida muda radicalmente, e como o texto mesmo diz: “tudo passará a ser diferente”.
Amigo e amiga, jovem que está lendo esse texto, se por acaso você se encontra entre alguma situação de jovens que escrevi acima, te peço uma coisa: faça uma tentativa de apaixonar-se pela VIDA. Procure ver as coisas boas que a vida nos oferece; deixe de lado o pessimismo, a tristeza e pare de reclamar da vida. Nem tudo está perdido, basta colocar a cabeça no lugar, fazer o coração funcionar de novo e dar um pouco de trégua à razão e se entregue mais a emoção. Esse momento fará você se sentir diferente, alegre e com um novo brilho no olhar. Quando isso acontecer, querida jovem, querido jovem, você vai ver começar a se apaixonar, ou seja, você vai começar a viver novamente, por isso eu te peço:
“Apaixona-te! Permanece no amor!
Tudo passará a ser diferente”.
Um forte abraço

@Brotherjohnp

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ser jovem de fé: sem medo de ser feliz!

Dias atrás estava conversando com um grupo de jovens, quando o animador do grupo me falou: “Brother, por que será que nossos jovens de hoje não têm mais fé?” A pergunta me pegou de surpresa. Fiquei pensando por vários minutos antes de responder. Então lhe disse: na verdade podemos considerar três hipóteses: a) Ou ele nunca teve fé; b) ou manifesta a sua fé à sua maneira c) ou de fato a perdeu. Não levei o assunto mais adiante, pois acredito que isso levaria um bom tempo. Mas o tema não saiu de minha cabeça. Por isso, a minha reflexão de hoje vai refletir sobre esse tema tão delicado e tão pouco refletido no meio juvenil. Convido você jovem, a refletir comigo e ao mesmo tempo fazer um exame de consciência para que você possa identificar em qual das três hipóteses você se encaixa. Você topa esse desafio? Então vamos nessa!
Os jovens de hoje são como cristais: parecem fortes, mas ao invés são frágeis; duros e maduros, mas às vezes delicados e imaturos; agressivos e corajosos e às vezes fracos e medrosos. Sabemos muito bem que em suas cabeças perpassam muitas dúvidas em relação ao futuro, aos estudos, a família e também a fé não fica de fora. Por mais duro de coração que um jovem aparenta ser, na realidade existe uma ternura muito grande escondida em seu coração.
Diante das mudanças de nossa sociedade o jovem é vitima do encantamento por tudo aquilo que é material, palpável, consumível. Vai em busca de um falso prazer oferecido pela sociedade de consumo e com facilidade troca o abstrato pelo concreto.
É neste “entrevero” que encontramos nossos jovens. Já escutei alguns jovens falarem: “eu tenho fé, mas não vou à missa, pois o padre é muito chato”.  Mas afinal de conta, onde o jovem baseia a sua vida cristã? Na figura do padre ou na figura de Jesus Cristo? Entramos então na discussão da hipótese de que o jovem de hoje tem fé, mas vive de maneira diferente. Sua fé, quem sabe, consiste em acreditar num Deus que está ao nosso lado, pronto e disposto a nos ajudar nos momentos de dificuldades. Basta rezar um pai-nosso e Ele vem em nosso auxílio. Será? Seria mais fácil para um jovem dizer eu não acredito em Deus, ou, eu não tenho fé, simplesmente para justificar o seu comodismo diante do seu compromisso de cristão, assumido pelos padrinhos no seu batismo e depois assumido por ele mesmo na crisma? Ou a falta de fé do jovem não passa de uma forma de não se expor diante de uma sociedade ou de um grupo de amigo que acha isso careta e ultrapassado? A fé, não é só acreditar ou não acreditar. A fé é um compromisso público, que se assumie enquanto cristão e por isso devemos vivê-la e demonstrá-la sem medo de ser feliz. Quantas vezes, em sala de aula, nosso professor perguntou: quem foi na missa domingo? E  ficamos quietos por vergonha ou medo de ser ridicularizado pelos colegas? Se você faz parte de um grupo de jovem, quantas vezes você escondeu isso de seus amigos? Quando alguém fala mal da nossa religião, ou mesmo diz blasfêmias sobre Jesus e Deus o que fazemos? Não temos medo, muitas vezes, de defender nossa fé, nossa religião? Por isso, ter fé é defender as nossas crenças e participar ativamente de tudo o que nos fortalece em nossa crença e nos faz amar cada vez mais a Deus e ao próximo. Ter fé é não ter vergonha de ser cristão. Ter fé é poder dizer a todos que participa de um grupo de jovens. Ter fé é poder dizer que faz atos solidários. Ter fé é dizer que vai à missa ou no culto. Ter fé é amar a todos com igualdade. Ter fé é ter coragem de defender a nossa religião. Ter fé é acreditar nas palavras de Cristo, nas palavras de Deus, muito mais do que na forma como o padre ou pastor orienta os seus fiéis na hora da celebração. Enfim, ter fé é poder dizer: EU ACREDITO NA VIDA e todos nós sabemos que essa VIDA é DEUS.
Agora, aquela pergunta que alguém me fez um dia eu faço a você, jovem leitor: você já teve fé um dia? Você já teve e a perdeu? Ou você vive e manifesta a sua fé de forma diferente? Como você vive a sua fé? Em que situação você se encontra? Medo ou vergonha de manifestar publicamente a sua fé? O que te impede de vivenciar concretamente a sua fé? O que precisa mudar em sua vida?
Eis a parada deste mês: demonstrar a todos a nossa fé verdadeira. Você está disposto a ser um jovem de fé? Vamos adiante então, sem medo de ser feliz. Cristo conta com você.

"Andá com fé eu vou Que a fé não costuma faiá." (Gilberto Gil)

@brotherjohnp