sábado, 21 de agosto de 2010

Volto em breve!!

Aeroporto de Panama City
Amigos leitores!
Entre os dias 19/08 ate 02/09 estarei na Guatemala.
Quando regressar retomarei as minhas reflexões e voltarei a escrever.

Logo estarei de volta.

Um forte abraço!

@brotherjohnp

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Olhar com o coração! Você consegue?

No ano de 1990 fui nomeado para trabalhar em Curitiba. Seria meu primeiro trabalho em um Colégio Marista.
Lembro-me como se fosse hoje quando o diretor me chamou para dar algumas orientações sobre o funcionamento do colégio. Entre tantas coisas ele me disse que naquele ano eu não iria desenvolver muitas atividades, haja vista que eu estava apenas começando e havia pouca experiência. Confesso que fiquei um tanto decepcionado, mas hoje reconheço que foi uma sábia ideia do diretor.
Dentre as poucas atividades que desenvolvi naquele ano, estava a nobre função de dar aulas de Ensino Religioso para as sextas séries. Já havia feito alguma experiência nesta área, mas seria um desafio muito maior, pois eram quatro turmas e naquela época eram 3 aulas de ensino religioso por semana.
Das quatro turmas que trabalhava, a sexta série “D” era a pior. Pior no sentido de haver muitos alunos repetentes, com a idade já ultrapassada para estar numa sexta série junto com outros de menor idade e além do mais, aquela sala estava fisicamente num lugar mais afastado das outras séries. Quanto chegava o dia de entrar naquela sexta série eu ficava estressado do início ao fim. Mas nada tão difícil que eu não pudesse superar com força de vontade, compreensão e com muito amor. Frequentemente eu recordava da frase do Pe. Champagnat que dizia: “Para bem educar um jovem é preciso antes de tudo amá-lo”.
Mas algo especial estava reservado para mim naquela famosa sexta série “D”. Havia um aluno de 15 anos, estava repetindo a sexta série e já havia repetido outras séries. Era um aluno que repetidamente era citado no Conselho de Classe e que parava mais na coordenação disciplinar do que na sala de aula. Era o “espinho” dos professores. Nas minhas aulas não era diferente. Apesar de procurar amenizar um pouco esta indisciplina atribuindo a ele certas funções, não havia um bom clima de relacionamento entre ele e eu. De fato, não foram poucas vezes que esse adolescente me enfrentou, me dirigindo palavras ásperas ao ponto de um dia dizer claramente que me odiava.
Obviamente que eu não estava ali para ser ovacionado e nem mesmo em busca de aprovação ou recompensa. Comportava-me como um educador marista, mas, sobretudo como um "Brother John". Tentava compreende-lo e não estava levando muito a serio suas agressões para com minha pessoa. Mas como as coisas estavam ficando cada vez piores, causando inclusive certo desconforto em toda turma, e na função de educador, não poderia deixar as coisas caminharem daquela forma.
Numa certa manhã, resolvi então chamá-lo para uma conversa particular em meu gabinete. Um pouco contra a sua vontade e temendo, quem sabe, alguma punição maior ele foi. Na verdade eu estava curioso para saber por que ele me odiava, já que eu nunca havia dado motivos para isso. Confesso que eu estava um tanto nervoso e com um pouco medo. Mas não poderia voltar atrás.
Ele chegou e sentou-se na cadeira à frente da minha mesa. Levantei-me e coloquei uma cadeira ao seu lado e ali me sentei. Perguntei se estava tudo bem e ele secamente respondeu negativamente. Não desisti. Um longo momento de silêncio. Criei coragem e perguntei o porquê de tanta raiva e ódio pela minha pessoa. Ele simplesmente respondeu: “você é muito parecido com meu pai. É gordo e usa barba. Igualzinho a ele. E eu odeio meu pai... simplesmente odeio.” Eu não precisava ouvir mais nada. Aquilo bastava para eu entender o porquê de tanto ódio. Mas deveria prosseguir a conversa, afinal queria saber mais alguns detalhes desse relacionamento entre ele e seu pai, para tentar, quem sabe, ajudá-lo de alguma forma. Perguntei então porque ele tinha tanta raiva do seu pai. Ele silenciou. Eu respeitei seu silêncio. Foram dez minutos assim, sem nenhuma palavra. Fui persistente e obtive a resposta. Ele então começou a relatar todo o seu sofrimento com o pai e a família. Era uma família de classe “A” economicamente falando. Seu pai era agressivo com ele e com a sua mãe. Batia em ambos. Quando saia de casa para ir trabalhar levava consigo as chaves dos outros carros que a família dispunha. Era violento a ponto de certo dia ameaçar a esposa com um revólver. Tudo isso acontecia na frente dos filhos (ele e mais uma irmã). Já não viviam mais tranquilos na casa. Aos pouco Francisco foi me contando tudo e sem reprimir as lágrimas deixava transparecer todo o seu ódio/amor contido em seu ser.
Aquele dia para mim foi essencial para, a partir daquele momento, compreender muitas coisas e mudar a minha atitude com relação às pessoas. Quantas coisas poderiam ser resolvidas com mais facilidade se tivéssemos a audácia e coragem de nos abrir aos outros, de dialogar e juntos buscar soluções de dificuldades que nos afligem. Quanto sofrimento se poderia amenizar se fossemos mais humanos e menos racionais, amassemos mais do que criticar ou simplesmente julgar sem saber do que se passa na realidade na vida de tantos adolescentes com os quais trabalhamos.
Depois da minha conversa com Francisco, comecei a mudar a minha visão e a minha atitude com relação aos meus alunos. Com o próprio Francisco, procurei conversar mais vezes, inclusive com sua mãe e irmã. Tentei fazer com que os professores compreendessem mais os seus alunos e que muitas vezes o problema de disciplina em uma sala de aula se resolveria simplesmente com um bom bate-papo pessoal com aqueles alunos que rotulamos de “indisciplinados”, mas que na verdade são mal amados. Isso exige sacrifícios, mas vale a pena, e eu sou testemunho disso. Lembro-me que para não me parecer mais com o pai de Francisco eu resolvi cortar a minha barba. Só não pude deixar de ser gordo, afinal de contas, somos seres humanos e temos nossas debilidades e fraquezas.
No ano seguinte Francisco saiu do Colégio, se não me engano havia reprovado. Encontrei-o algumas vezes, mas nunca mais soube nada dele depois. Francisco, seja lá onde você estiver, obrigado por ter me ensinado a AMAR, a ser mais compreensivo e a ESCUTAR mais as pessoas. Francisco, obrigado pela sua amizade.

Diante deste fato, cabe aqui uma reflexão sobre a maneira como encaro e percebo àqueles com os quais eu trabalho, seja em sala de aula, ou seja, num grupo juvenil. Não podemos deixar de refletir a nossa postura e atitude diante de fatos como este relatado acima. Não podemos estar alheio às situações que requerem de cada um de nós atenção redobrada e especial, sobretudo se estão à nossa disposição adolescentes ou jovens como Francisco. Não podemos perder de vistas a nossa missão de educadores e animadores de grupo. E é neste sentido que devemos estar atento a tudo o que ocorre em nosso grupo, devemos estar “antenados” para podermos perceber que, muitas vezes, numa simples atitude de revolta, de insatisfação ou mesmo de agressividade, está escondida a vida complicada e carente de um adolescente e jovem, que muito mais que “chamadas de atenção” precisam de mais afeto, carinho e, sobretudo AMOR.

Com certeza se eu tivesse tratado este aluno com a mesma violência que ele me tratava, eu haveria acertado um belo tiro no meu pé. 

Um abraço.

@brotherjohnp

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Apenas um sorvete!!!!

O ano nem me lembro mais, mas o fato está ainda presente em minha memória e penso que não seja fácil esquecer.
Quando trabalhava em colégio, tinha o costume de uma vez por semana sair com os alunos depois das aulas, geralmente nas sextas-feiras, para almoçar ou simplesmente tomar um lanche. Levava comigo o ensinamento do Pe. Champagnat que dizia que os deveríamos estar lá onde os jovens se encontravam. Neste sentido nunca recusei um convite de alunos para participar de algum evento, esporte (mesmo que fosse só para assistir), festinhas etc. Era justamente ali, nestes momentos mais informais, que eu aprendia muito com esses adolescentes e jovens e que crescia a confiança e a amizade entre nós.
E foi numa destas saídas, para ir fazer um lanche com um grupo de alunos da sexta série, que aconteceu um fato marcante.
Depois do almoço, muito animado por sinal, alguns alunos, para completar a refeição com uma sobremesa compraram sorvetes. Era daquele sorvete de casquinha, tradicional em forma de cone. Estávamos voltando para o colégio, andando à minha frente um grupinho de três alunos e comigo caminhavam os demais alunos. Vínhamos conversando, rindo e falando sobre o jogo que eles haveriam na parte da tarde. À frente, os três caminhavam a passos lentos, e um deles ainda estava com um sorvete nas mãos. E num momento de descuido o sorvete caiu, indo ao chão e espatifando-se contra a calçada suja da rua. Lembro-me que todos riam do fato e faziam brincadeiras com Ricardo, o garoto que havia deixado cair o sorvete.
Próximo a este fato, bem na frente de um ponto de ônibus, estava atento a este episódio um menino de uns 10 anos, mendigo, empobrecido, com as roupas esfarrapadas e muito sujas. Percebia-se logo que se tratava de um menino de rua.
Num gesto rápido o menino pobre se aproxima e tenta ajuntar o sorvete para aproveitar o resto que sobrava. Mas num gesto muito mais rápido, Ricardo num golpe de mestre, pisa sobre o sorvete, esmagando-o e reduzindo-o a nada. Por pouco não pisa na mão do menino. E em seguida arrematou dizendo: “se quiser vai comprar, seu vagabundo”, e soltou uma gargalhada satânica.  
Por alguns segundos, quem sabe milésimos, reinou um silêncio. Tive a impressão que o mundo parou naquele momento. Em seguida ouviram-se as gargalhadas de alguns colegas, como que aprovando o ato de Ricardo. Tive a alegria de pelo menos ouvir um dos colegas repreendendo Ricardo pela sua atitude mesquinha e insana.
O olhar do menino pobre não me sai mais da mente. Os olhos negros esbugalhados, demonstrando certo medo e pavor misturado com frustração. Poderíamos esperar uma reação agressiva do menino, quem sabe um palavrão, mas não. O garoto simplesmente levantou-se e voltou para o lugar onde se encontrava antes.
Por muitos anos aproveitei deste episódio para ilustrar minhas aulas de ensino religioso, sobretudo quando o tema era caridade e amor ao próximo. Ainda hoje, quando penso neste fato me dá uma tristeza muito grande, sobretudo em saber que o aluno que fez isso, era um aluno de um colégio confessional, que prima pela formação religiosa e humana do educando. Era um aluno que sempre teve o que quis, do bom e do melhor. Uma pessoa que sempre viveu bem com a família, onde nada faltava. Um aluno que se dizia cristão.
Obviamente que o fato de alguém juntar alguma coisa do chão, sujo, e aproveitar para saciar sua fome, não é algo muito comum. Quem sabe até aquele ato isolado do Ricardo tenha sido uma tentativa de não deixar aquele garoto pobre usufruir de algo sujo e que poderia lhe prejudicar. Mas é claro que a atitude do Ricardo não foi correta. Quem sabe, poderia dizer para o menino que aquilo não era legal, pois o sorvete estava sujo e em seguida poderia pagar um lanche ou um sorvete para ele. Mas nem ele, nem eu e nenhum outro aluno presente pensou nisto. Na verdade estávamos estupefatos pela atitude de Ricardo, atordoados e inertes, sem uma reação imediata. Confesso que no momento tive muita raiva e com vontade de “bater” naquele aluno. Pegar pelo pescoço e perguntar por que ele havia feito aquilo. Com certeza não seria a coisa mais correta a se fazer naquele momento.
Na semana seguinte, nas aulas de ensino religioso, aproveitei o fato para fazer uma reflexão com todos os alunos, inclusive na sala do Ricardo. Obviamente que muitos não sabiam que havia sido ele, e nem citei o nome dele para a turma, mas creio que a lição serviu a ele, pois ao narrar a Parábola do Bom Samaritano e ao citar a célebre frase de Jesus Cristo: amai-vos uns aos outros como eu vos amei, o garoto deve ter se arrependido de ter feito aquele ato. Isso eu digo com certeza, pois alguns dias depois tive a oportunidade de conversar com ele pessoalmente, inclusive para pedir perdão pelas minhas palavras agressivas que usei naquele dia em sala de aula. Ambos crescemos cada um de sua forma. Ambos aprendemos cada um tirando uma lição para a sua vida pessoal. O ato em si foi lamentável e reprovável, porém, não descarto a ideia de que muitas vezes Deus utiliza destes fatos e momentos para nos transmitir uma lição de vida e para que possamos entrar em nós mesmos para refletirmos sobre as nossas vidas, nossas atitudes e comportamento. Serve inclusive neste momento para fazermos uma reflexão pessoal e nos perguntarmos como esta sendo minha relação com aquelas pessoas com as quais convivo? Qual seria a minha atitude ao presenciar um fato destes? Faria a mesma coisa se eu deixasse cair o sorvete no chão?
Ricardo foi meu aluno até no primeiro ano do Ensino Médio. Posso garantir uma coisa: ele mudou muito e aprendeu a lição. Oxalá possa ele, eu e todos nós aproveitar de todas as situações de nossas vidas para perceber a presença de Deus e para tirar lições de vida que posteriormente orientarão as nossas vidas, e com certeza, nos caminhos da fraternidade, da justiça e da paz.

Quando deixamos de aproveitar essas oportunidades para o nosso crescimento pessoal, com certeza estamos mirando o nosso próprio pé, e dai você sabe, tiro no próprio pé dói!!!

Um abraço.

@brotherjohnp

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Vida monocromática!!

Se tivermos que escolher entre alguma coisa colorida e outra em preto e branco, o que você escolheria? Não sei a sua resposta, mas eu escolheria a colorida.
O colorido representa alegria, felicidade, bom espírito, jovialidade e tantas outras coisas que a psicologia nos explica. O preto e o branco também são cores, mas não carregam em si a riqueza de significados das coisas coloridas.
Hoje penso nas cores fazendo uma comparação com a nossa vida. Hoje temos como sinônimo de preto e branco algo sem vida. Quando queremos demonstrar a tristeza de alguma geralmente não usamos cores alegres, mas optamos pelo preto e branco. Quando vemos uma foto colorida nos reportamos a atualidade, porém se vemos uma em preto branco nos reportamos ao passado, àquilo que já passou que está longe de nossa realidade atual.
Em muitos momentos de nossa vida, temos a impressão de estarmos mergulhados em um mundo sem cor, e por que não dizer num mundo onde reina apenas o preto e o branco, não é verdade? Por que acontece isso? Culpa de quem? De nossa cultura? De nossa sociedade? Pode ser! E nós? Qual a nossa parcela de participação nisso tudo?
Tem um ditado que diz: a vida tem a cor que você pinta. (Mário Bonatti). Mas o que significar pintar?
PINTAR= DAR A COR não é verdade?  Ou seja, é colocar o coração em tudo o que a gente faz. Mas se trocarmos a posição das palavras podemos obter A COR DAR.
Acordar? Sim, exatamente isso. Precisamos acordar para a vida que nos cerca para a nossa realidade. Procure dar a você a oportunidade de A-COR-DAR todos os dias e compartilhar com os outros o que DEUS nos dá de melhor: o privilégio de ser e fazer os outros felizes!
Este exato momento está aí, para ser preenchido da forma como você achar melhor, porque a vida tem a cor que você pinta.
Por mais cinzento que posso estar sendo o dia de hoje, ele tem exatamente a cor que dou a ele. O engraçado é que os dias são todos exclusivos. Cada dia é um novo dia, ninguém o viveu. Ele esta ali, esperando que eu ou você façamos com que ele seja o melhor de nossa vida. Os meus dias serão os mais belos porque eu os faço os mais lindos da face da terra. Acredite em você. O universo é o limite!
Agora eu te pergunto: qual a cor da sua vida? É bem colorida ou é monocromática? Não sabe? Ora amigo, a sua vida tem a cor que você pinta... tem a cor que você quiser, só depende de você! Por isso, pinte a sua vida de azul, de amarelo, de vermelho, de branco, de marrom, de preto, ou transparente. Não importam as cores. Use quantas cores você desejar, mas deixe-a bem colorida. Dessa forma sua felicidade estará ainda mais notada, seu brilho aumentará e quando alguém olhar pra você verá que a sua vida é maravilhosa. (Vilma Galvão).
E então, o que você quer? Uma vida colorida ou uma vida monocromática. A decisão é sua, somente sua. Mas lembre-se de que a sua decisão vai influenciar na minha vida, pois você amigo, é muito importante para mim, a tua vida colorida com certeza tornará a minha vida também mais colorida. A COR DE e DE A COR em sua vida. Conto com você.

A opção é sua e somente sua. Mas às vezes uma escolha errada, você já sabe... 
é um tiro no pé!!!

Abraços.

@brotherjohnp

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quem disse que eu não trabalho?

TRIMMMMMMMMMMMM .....
!!!! Uaaaaaaauiiiuuuaaa (bocejo). Putz, 6h30 da matina. Que saco!!!! Levantar, tomar banho (ou só lavar o rosto), escovar os dentes (ou não. Vai da opção de cada um). Tomar café (ou coca-cola... chá ?!?!?!?). Hummm... faltam 10 minutos ainda, acho que vai dar pra fazer a tarefa rapidinho!!! Joãooooooooo tá na hora. Você vai perder o ônibus...ou... eu não vou mais te esperarrrrr... vamos logo moleque, preguiçoso!!!!! Ufaaaaa!!! Quem me dera ter essa oportunidade de perder o busão ou meu pai/mãe não me levar pra aula..ou mesmo a pé... ir beeeeemmmmm devagar e chegar atrasado e perder a primeira aula. Não!! Fujam de mim pensamentos dos infernos!!! Nada disso. Eu vou estudar, afinal, eu sou estudante e preciso aprender, saber, ficar mais inteligente (maissssssss..bem maisss!!!). Tudo bem, às vezes é um saco, mas convenhamos, tem as suas vantagens: rever os amigos, a namorada... o namorado... ficar, paquerar... e depois tem o bendito intervalo, recreio...hora da merenda (diga-se de passagem o melhor momento da manhã, ou da tarde ou da noite). Hummm..deixa eu ver aqui... primeira aula ... hummm PUTZ.. MATEMÁTICAAAAAA ... SENO, COSENO, ÁLGEBRAS, RAIZ QUADRADA .. 2+2, 2x-5y, Arrrhhhhhhh!!! Chegaaaa.. logo hoje, dia do estudante... ahhhhh não vale... nem deveria ter aula!!! Uai... se no dia do trabalhador é feriado, porque hoje a gente tem que estudar??? Injustiça!! Abaixo o feriado do dia 1º de maio!!! Queremos feriado no dia 11 de agosto!!! Feriado Já!!!! Ou faremos greve!!! kkkkkkkkk. Que tolice essa minha. Mais uma vez me invadem os maus pensamentos. Xô satanás... xô !!!
Ei, espera ia. O que é isso que to lendo aqui??? Nome: João... muito bem. Sexo: masculino...ótimo. Idade: 16....blz! Profissão: ... hummm... profissão..profissão .. hummm: "Manhêêêê qual é a minha profissão?? ... - Estudante moleque, estudante!!!" kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ... ah eu não aguento. É uma piada. Que p@#%&* de profissão é essa que não tem remuneração? 13º salário onde está? Vale transporte, vale alimentação... hauhauhauhaa...só pode ser uma piada mãe.
(Algumas horas depois)
Hummm..to pensando aqui. Profissão, estudante! Legal. E eu que sempre me sentia um inútil. Que nada!!! Eu tenho uma profissão..eu sou estudante. Sim, ser estudante é uma das mais belas profissões. Estava analisando o seguinte: comparando com uma profissão, sobretudo com algumas características ou valores que qualquer ser humano deve levar em conta quando assume algum trabalho, quando desempenha sua profissão. Por exemplo: responsabilidade. Sou responsável como estudante? Para se dar bem no emprego, é preciso gostar, amar do que faz. Eu gosto de estudar? Um bom funcionário sempre quer ser o melhor, pois no futuro terá suas recompensas, seja ela financeira ou mesmo para o seu ego. Eu como estudante procuro ser o melhor? O bom profissional sempre cumpre suas tarefas com esmero e eficiência. E eu, cumpro as minhas tarefas? Um bom profissional é dedicado. E eu? Muitos profissionais acordam cedo para chegar a tempo no trabalho (eu também!!); deixam a familia em casa (eu também); muitos pegam um, dois ou mais busão ( idem); no final do mês ele recebe um salário (EU NÃO!!!! .... mas tudo oq ue já recebo da minha família, dos meus pais. Poxa!! Eu não desembolso nada... são eles que compram tudo... eles me dão dinheiro para o lanche.... compram meu uniforme... pagam as minhas contas... hummm .. acho que sou mal agradecido!!!).
E então... diante de tudo isso, nesse momento atual que vivo o que quero mais? Tenho que estudar e aproveitar esse momento e essa oportunidade. Certas coisas passam por nossa vida e muitas delas são oportunidades. Eu tenho que agarrar com unhas e dentes e não deixar passar e acredito que o estudo é uma delas. Quantos gostariam de estar onde estou e não têm condições?
Hummm...pensando bem... é isso mesmo. A minha mãe tem razão.. eu sou estudante e a minha profissão é essa. E se essa é a minha profissão quero exercer com responsabilidade e um dia receber os frutos desse meu esforço. Sei que não é nada fácil, pois a minha fase (ser adolescente não é nada facil!!!!)  não me estimula muito para estas coisas, mas tudo isso logo passa e com certeza não vou me arrepender.
Sim... yessssssssssssssssssssssss ... eu tenho uma profissão... EU SOU ESTUDANTE!!!

Agora...se você quiser viver numa boa... descompromissado e sem essa profissão ... ahhh ... me desculpe.. você vai  logo logo dar um tiro no próprio pé!!!

Abraços!

@brotherjohnp

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Os adolescentes bagunceiros

O tema de hoje é dedicado a minha amiga Thamilis de Queiroz, a @thatahappy. Após um comentário sobre o meu post do dia 06/08, ela me sugeriu que escrevesse sobre esse tema. Ela me perguntou: "Por que falta ânimo de estudar e para as outras atividades, com PJM, os jogos internos... etc? Mas pra bagunça não falta ânimo ..."
Partindo desse comentário, ouso escrever alguma coisa sobre os adolescentes e suas "bagunças". Quem sabe este texto possa inspirar os leitores que trabalham com os adolescentes a olharem esses "bagunceiros" de outra maneira.
Não gostaria de repetir o que já escrevi no post do dia 03/08 sobre a fidelização dos jovens. Mas vou pedir que levem em consideração tudo o que escrevi lá e acrescente mais algumas coisinhas que vou escrever hoje.
Tudo aquilo que gostamos de fazer, que nos dá prazer, alegria e satisfação, nós fazemos com muita gosto e com muito ânimo. Para entendermos o desânimo dos adolescentes é preciso compreender o que se passa por sua cabeça neste período turbulento da adolescência. É um período em que ele está se estruturando e buscando o seu lugar. O nosso maior erro, digo, dos adultos, é querer ver e fazer do adolescente um mini-adulto. Sim, é o que fazemos. Achamos que ele deve pensar e ter as mesmas atitudes de um jovem ou adulto. Muitas vezes não respeitamos os seus limites e agimos de forma errônea. "Ah, mas espera ai Brother...não dá para aceitar tudo desses "pentelhos" não!!!! É impossível isso". Concordo com você caro/a leitor/a. Não estou querendo dizer que o adolescente é um "santinho" e que merece ser deixado quieto em seu canto. Não! Quero apenas salientar a nossa metodologia de trabalho com esses adolescentes. Como disse a nossa amiga @thatahappy, o adolescente mostra um desânimo para fazer outras atividades, para participar da PJM, de jogos internos etc. Por que será? Vocês já ouviram falar de "mesmice"? Acho que começa por ai. Está faltando criatividade dos nossos educadores, assessores, líderes em geral. O adolescente de hoje não é mais o adolescente de ontem. Hoje, por exemplo, nem se pode mais dar as famosas "palmadas educativas". Ele está sendo criado de tal forma que a sua liberdade (será liberdade mesmo??) lhe permite fazer o que bem entender. Se no post anterior eu sugiro aos pais que olhem o passado para ver como foi a sua adolescência e compreendam melhor os seus filhos, da mesma forma incentivo agora a usarem de criatividade e autoridade (não autoritarismo) para educarem seus filhos. O mesmo conselho vai aos professores, educadores, assessores e lideres, O adolescente precisa de exemplos em primeiro lugar. Onde vocês acham que ele está buscando esses exemplos? Na televisão, na internet e em meios de comunicação. Sabem por que? Porque esses meios são atrativos (nem sempre mais educativos), mas pelo menos tiram ele do marasmo, da inércia e do  desânimo. Quando alguma coisa não os agrada, não os anima, eles usam a arma à disposição, ou seja, a bagunça. Essa bagunça, nada mais é do que a sua voz dizendo: " eu não estou nem ai para tudo isso que vocês estão falando, dizendo, ensinando". Mas ao mesmo tempo, os vemos atentos aos games, aos sites interativos, aos programas de TV, ao cinema 3D, as Redes Sociais. O povo que está  a frente desses entretenimentos sabe que o que o adolescente quer é algo que lhe movimente, que agite sua vida, que lhe dê aventura e inclusive riscos. Ele não quer simplesmente ser passivo, mas a sua busca pela identidade e reestruturação nesse novo corpo que a adolescência vai lhe mostrando requer muita agitação para "queimar" todo o seu combustível. Quando parado esse combustível em seu organismo lhe dá alergia, lhe dá repulsa e consequentemente lhe tira o ânimo. É necessário que nós educadores, pastoralistas, líderes, levar em consideração este fator na hora de preparar as nossas aulas, nossos encontros e atividades pedagógicas e complementares para o adolescente. Precisamos estar de olhos e corações bem abertos para conciliar a formação com a diversão. Nunca é demais uma "bagunça", desde que seja uma bagunça organizada. Então, antes que o adolescente comece a sua bagunça, seja esperto e promova para ele a sua bagunça organizada. Você vai perceber que aos poucos ele vai se animar com as suas atividades, com as aulas, com a PJM e com a própria vida. Do contrário, querido/a amigo/a será um belo Tiro no Pé!!!

Um abração.

@brotherjohnp

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Pais X Filhos: quem ganha? Parte 2

Relembro que o texto é dirigido aos pais de uma maneira geral, porém serve também para os animadores, assessores e monitores que trabalham com algum grupo, seja ele com crianças, adolescentes ou jovens. Dá pra tirar muitas lições deste texto. Como escrevi no início da parte 1, os nossos jovens, muitas vezes, nos têm como seus pais e mães. Então, aproveite dos ensinamentos deste texto.

O adulto de hoje foi o jovem de ontem. E, por que existem, afinal, tão agravado em nossos dias os conflitos de gerações? Por que escutamos tantas críticas e reclamações contra os jovens? Será que nós, adultos, não temos a capacidade de refletir um pouco, retroceder no tempo e recordar como vivíamos há 15 ou mais anos atrás? Não seria bem mais fácil usar de minhas memórias para trazer bem perto aquilo que fui no passado e aproveitar dessas recordações para compreender nossos filhos adolescentes e jovens? Não seria mais fácil chamar o filho para perto de si e dizer que entende aquela situação e que quando era adolescente ou jovem como ele fez as mesmas coisas, porém não foram coisas certas e por isso, hoje revendo o passado, tem a possibilidade de ensinar o que é mais certo? Não seria mais compreensivo dizer aos seus filhos quais foram as conseqüências dos seus erros cometidos no passado, quando você era adolescente ou jovem e por isso hoje você aconselha eles a não fazerem o mesmo erro? Imagine a seguinte situação: você é chamado ao colégio pela coordenação, pois seu filho foi pego fumando no banheiro do colégio. Você vai, com aquela cara de carrasco, dá aquela bronca no filho na frente da coordenadora. Leva o filho para casa, dá mais uma bronca, faz aquele sermão e dá o castigo merecido: tira do esporte, da escolinha de futsal, da PJM. Dependendo da realidade familiar usa-se até de uma vara de marmelo para tentar a correção, com umas varadas no traseiro (hoje não se pode mais, pois temos a Lei contra as palmadas, mas aqui é apenas um exemplo). Pois bem! Uma boa dose de disciplina vai fazer seu filho se corrigir e pronto. Eu acredito que até mesmo umas palmadas  poderiam ser usadas em determinadas situações (mesmo agora com a lei contra as palmadas). O “sermão” também poderá ser bem aproveitado. Duas atitudes, no meu parecer, foram aplicadas erradas: a bronca na frente da coordenadora e o castigo aplicado. Em primeiro lugar a coordenadora não precisa saber o que você tem reservado para o seu filho quando chegar em casa. Com certeza o seu filho poderá te perdoar tudo, menos esse mico que você o fez pagar na frente da coordenadora. Aliás, quem é que gosta de ser chamado a atenção na frente de outras pessoas? Nem mesmo você, tenho a plena certeza, gostaria de receber uma chamada de atenção do seu chefe na frente dos outros 15 colegas do seu trabalho. O outro erro foi castigar o seu filho tirando-o da escolinha de futsal. Tudo bem, ele adora ir na escolinha, mas você esta o privando de saúde, afinal de contas o exercício físico, dependendo da idade, é de suma importância para o crescimento do seu filho. Outros, quem sabe, tiraria ele do grupo de adolescente que esta participando, promovido pelo setor de pastoral do colégio. Também considero um erro, pois você esta privando seu filho de formação de valores, uma preparação essencial para a vida. Pois bem, eis o fato que ocorreu com seu filho na escola. Porém, você esqueceu de algo fundamental: quando você tinha a idade dele você também fumava. Tudo bem que você era mais inteligente e não fumava na escola e que conseguia enganar seus professores e pais. Mas esse fato não poderia ajudar a conscientizar o seu filho? Ou você acha que perderia a pose de ídolo que seu filho faz de você? Você poderia estar pensando: se eu falasse para meu filho que eu fumava na idade dele e poderia me jogar na cara a qualquer hora: pai, você não pode falar nada, pois você também fumava quando era adolescente. Claro, com certeza ele poderia dizer isso se você não seguisse o seguinte raciocínio. Você vai à escola, a coordenadora fala que seu filho foi pego fumando. Você assina o termo de advertência ou suspensão e agradeça à coordenadora por estar comunicando o fato à família. Você olha sério para seu filho e diga: muito bem garoto, em casa a gente vai conversar: eu, você e mamãe. Pronto. O assunto na escola acabou ai. Em casa, cumpra o prometido. Sente você, o filho e a mãe. Comece reprovando a atitude dele. Que não é algo legal para a saúde dele e que isso poderá prejudicar seu rendimento escolar, seu rendimento no futsal etc. E diga mais: veja meu filho, eu quando tinha a sua idade também fumava. Mas eu tive provas concretas depois que isso não me levava a nada, ao contrário, só estava me prejudicando. Então, como eu gostava muito da minha vida, dos meus pais e dos meus amigos eu parei. Nunca mais fumei. Eu até entendo a sua atitude perante os coleguinhas. Você quis chamar a atenção etc, mas a sua atitude não foi muito legal. Fumar na escola não é o melhor programa e nem o melhor lugar para se provar que é mais do que os outros. O que você fez é algo correto? (deixe o garoto responder). Eu e sua mãe e também a própria coordenadora ficamos muito triste com você. Então, para que você possa refletir um pouco mais sobre isso, você nesse final de semana não vai ao shopping com seus amigos, ok? E aquela bola que você está pedindo para eu comprar eu vou adiar um tempo mais a compra dela, ok? Depois nós vamos conversar mais sobre isso. Que tal? Não é tão difícil, é só tentar. Existem muitas formas de nos relacionar com nossos adolescentes e jovens sem precisar denegrir a imagem de ninguém. Tudo se resolve coma amor e diálogo.
Com o passar dos anos, em que os cabelos vão branqueando e a melhor idade vai se aproximando, estaremos com a consciência tranquila de poder ter ajudado seu filho a crescer em sabedoria e graça diante de Deus e da sociedade. Com certeza, nesse ritmo e com essa maneira alegre, consciente e tranqüila de educar os filhos, você nunca vai envelhecer. Uma sábia reflexão nos diz que velho é aquele que perde o ideal de vida, com certeza, transmitindo isso a seus filhos, nem você e nem seu filhos serão velhos, mas serão eternamente jovens, e nada mais lindo do que um grupo de jovens amigos de reunirem para comemorar a cada dia a vitória da vida. Quem sabe você e seus filhos não farão parte desse grupo por muitos e muitos anos e oxalá você tenha forças e disposição para envelhecer em idade, mas não em espírito. Que as suas rugas sejam apenas externas e sinais do envelhecimento do seu corpo e não da sua alma e nem da sua mente. O mesmo desejo a você adolescente e jovem e também a você ex-jovem. E para aqueles  que já atingiram a velhice aos 20 anos, com a alma, o coração e a mente enrugada, ofereço a esperança de que você pode mudar. Ainda é tempo. E finalizo reforçando o meu apelo aos pais adultos: olhe o seu filho adolescente ou jovem como se você tivesse vendo o seu passado. Tenho certeza absoluta de que você vai gostar dele.

Um abraço!

@brotherjohnp


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Pais X Filhos: quem ganha? Parte 1

Tenho uma reflexão sobre o relacionamento dos filhos com os pais. Temo que ela se seja muito extensa, por isso escreverei em 2 ou 3 partes. Espero poder contribuir para a compreensão de nossos adolescentes e jovens com os quais trabalhamos ou simplesmente convivemos. Muitas vezes os adolescentes e jovens, no grupo de jovens, tem o animador como um pai ou mãe. A reflexão serve também para quem não é pai e nem mãe. Aproveite!!



Muitas vezes chego à conclusão que os pais têm o grande dom de procurar encrenca, confusão com os filhos adolescentes. Muitos neste momento estão discordando de mim, e têm todo o direito. Não se esqueçam ... o que você vai ler a partir de agora é o MEU ponto de vista.  
Geralmente os pais educam seus filhos com uma visão de adultos (refiro-me aqui ao pai e a mãe que são adultos). Geralmente eles esquecem que um dia foram adolescentes e jovens. Não digo isso para justificar e facilitar a nobre tarefa de educar uma criança. Isso serve para os professores também.
O que eu aprendi com os adolescentes e com os jovens é que eles vão te amar muito mais se você se assemelhar a eles. Isso não equivale ser igual a eles, aliás, diga-se de passagem, eles próprios acham ridículos os adultos que se metem a ser adolescente ou jovem, sobretudo nas suas atitudes e maneira de se vestir, de falar etc. Mas a minha proposta não é descabida. É uma proposta real e fácil de executar. Quando nos colocamos acima do adolescente, do jovem, somos vistos como meras autoridades, mesmo que essa pessoa seja seu pai ou sua mãe.  Como por sua própria natureza o adolescente abomina toda e qualquer autoridade, desde o síndico do prédio até o diretor de sua escola, não será diferente com os pais. Os adolescentes e jovens têm culpa disso? Não. É simplesmente mais uma fase de vida que eles estão vivendo. Depois isso passa. Algum leitor poderia estar me perguntando: então eu vou ter que brincar de “faz de conta” com os adolescentes e jovens? Ou seja, eu faço de conta que sou um adolescente ou jovem como ele, ele fica meu amigo, depois que essa fase passar eu volto a ser o adulto normal como antes? Não, não é nada disso. Quem sabe um exemplo poderá ajudar na compreensão. Transcrevo a seguir um trecho do livro Heróis de verdade*: pessoas comuns que vivem a sua essência, de Roberto Shinyashiki (Editora Gente, 2005):
Toda vez que começo a discutir com um de meus filhos e chegamos a um impasse, noto que estou me colocando acima dele. Basta que eu desça do pedestal para acontecer uma mágica: o diálogo flui e resolvemos o conflito. Quando você se coloca no mesmo patamar de seu interlocutor, consegue compartilhar idéias e compreender a opinião do outro. Experimente, é bom voltar a se sentir gente!
Creio que com esse exemplo ficou mais fácil de compreender o que quero dizer ao sugerir que em nosso relacionamento com os filhos tenhamos uma atitude de igualdade, com respeito e amor. O importante é deixar claro que cada um desempenha a sua função e esse grau não é rebaixado ou desmerecido, ou seja, você continua sendo pai/mãe e ele filho/filha, com suas responsabilidades, atribuições, funções etc. Quando esse processo ocorre de forma natural ambas as partes sabem os seus limites e até onde podem chegar.
Os adolescentes e os jovens são, geralmente, tidos como uma classe de desordeiros e problemáticos. A sociedade os concebe assim e de geração em geração essa “tradição” foi repassada. Já no tempo de Platão a juventude era tida como desviada. Não podemos mudar essa concepção, porém, os pais em casa, na relação do cotidiano, no processo educacional podem modificar essa concepção. O que na verdade acontece é que por mais que amamos nossos filhos temos a mesma concepção. Por mais que negamos isso e defendemos nossos filhos adolescentes e jovens com unhas e dentes, sempre caímos na tentação de criticar os adolescentes e jovens do vizinho, sem dar-nos conta de que em nossa casa, no mesmo teto vive com você adolescentes e jovens. Você nunca caiu na besteira de criticar ou tecer um comentário maldoso de uma pessoa obesa que estava passando pela rua e ao seu lado está uma pessoa do mesmo porte? Falamos isso com essa pessoa ao nosso lado com a maior naturalidade, como se todas as pessoas do mundo fossem gordas, mas ela não. Comigo já aconteceu! E por incrível que pareça já cai nessa besteira inúmeras vezes. E nunca me dou conta, no momento, quem está do meu lado.
Mas voltando ao assunto em evidência nessa reflexão, costumeiramente falamos que os adolescentes e jovens são problemáticos etc. Mas com certeza jamais paramos para pensar que muitas vezes o problema do próprio adolescente ou jovem se chama ADULTO. E o que é um adulto? Adulto é aquele indivíduo que já tem a idade para não ser mais chamado de jovem e por isso é alguém que não é problemático, não é rebelde e faz tudo certo em sua vida. Se  definimos os adolescentes e jovens como problemáticos e rebeldes, então em contrapartida o adulto, ou seja, um ex-jovem, já passou dessa fase e não é mais nada disso. Sabemos todos nós que não é bem assim. Não é mesmo?

Continua no próximo post.

@brotherjohnp


* Um livro muito bom que aconselho a você ler e refletir. Vale à pena lê-lo acompanhado do esposo (a), namorado (a), amigo (a) e depois trocar algumas idéias sobre isso. 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fidelização dos jovens???

Trabalho há uns 4 anos como voluntário para o site AMAI-VOS. Sou responsável para responder as dúvidas dos jovens na sessão JOVEM ON LINE. Hoje recebi o e-mail de uma jovem pedindo ajuda e alguns conselhos de como lidar com um grupo de adolescentes que fazem parte de um grupo de jovens. Ela me escreveu o seguinte: "Gostaria de pedir uma ajuda em relação a evangelização de jovens. Como eu posso, em um primeiro encontro, conquistar a confiança e o apoio de crianças especificamente? Quero fazer algo em que eles sintam-se marcados e importantes no grupo de jovens e continuem frequentando os encontros. Já procurei e tentei montar encontros, mas nada me satisfaz(SIC)". 
Acredito que a pessoa que trabalha com adolescentes e jovens não deve pensar em  satisfazer-se e a si próprio em primeiro lugar. Tem que pensar neles. Muitas vezes preparamos um encontro, achamos que não foi bom e os adolescentes adoraram. É certo também, que por vezes achamos que estamos arrasando e na verdade, na visão dos jovens e adolescentes, o encontro foi uma porcaria. Por isso, não podemos julgar a eficácia de nossos encontros. Tal julgamento deverá ser feito pelos protagonistas do encontro, ou seja, os adolescentes e jovens. 
Em segundo lugar, temos que pensar o seguinte: os adolescentes e jovens de hoje não têm a mesma dificuldade em encontrar algo pra fazer como os jovens da minha época, por exemplo. Hoje os adolescentes e jovens têm um "arsenal" de coisas com os quais se ocupar. Quando a jovem diz em seu e-mail que quer fazer algo para os jovens para que eles se sintam marcados e importantes no grupo e continuem participando, ela está gritando: POR FAVOR, O QUE FAÇO PARA QUE ELES ADIRAM A PROPOSTA DO GRUPO DE JOVEM? O QUE FAÇO PARA QUE ELES PARTICIPEM COM ASSIDUIDADE DO GRUPO?  E com certeza, você que é animador de grupo, já deve ter passado por isso e até feito a mesma pergunta, não é mesmo? 
Não tenho uma receita pronta, pois cada grupo, cada jovem, cada adolescente é particular, é diferente e tem suas características próprias. Mas vejam bem. Será que nossas metodologias são interessantes? Conseguimos prender a atenção dos adolescentes? Hoje os jovens têm muitas coisas com as quais se ocupar nos finais de semana. Ele tem muitas opções a escolher: pode ficar em casa na internet, pode jogar vídeo-game, pode ficar a tarde toda mandando MSM, pode ficar twittando até cair de sono em cima do computador, pode ficar bisbilhotando os orkuts alheios, enfim, uma infinidade de coisas, que para ele é muito mais interessante do que ficar duas horas, sentados no chão, ouvindo uma pessoa falar de um determinado assunto e depois terminar com uma oração do Pai-Nosso. Não estou dizendo que isso não seja importante. Prezo muito este tipo de trabalho, vocês que me conhecem sabem disso, porém, como estou fazendo? Agora é a hora de você pensar: o que estou fazendo para atrair os adolescentes e jovens para o grupo e o que faço para mantê-lo perseverante nas reuniões? Existe algum plano de "fidelização"?  Antigamente o jovem não tinha ao seu alcance a internet, as redes sociais, jogos on-line, vídeo-games fantásticos que o prendesse em casa. Então, a oportunidade de socializar-se, de trocar idéias, de partilhar emoções se dava através de um grupo de jovens. Então como competir nos dias de hoje com tantas atrações? Ficar numa sala no sábado a tarde, refletindo por duas horas um determinado tema ou ir ao cinema assistir um filme em 3D? Ou ficar no quarto diante do computador, escutando música, vendo TV, usando o MSN, mandando mensagens pelo Twitter, postando no Orku e Facebook, além de jogar on-line com alguns amigos ... e tudo isso ao mesmo tempo. Quanta diversidade! E o adolescente é assim mesmo. Essa é uma das característica atual do adolescente, ou seja, fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo e estar "antenado" em tudo sem perder o foco. 
O que fazer diante dessa realidade? Dou uma dica: que tal começar com uma mudança radical em você mesmo. Você é atraente? Não estou falando do ponto de vista físico e nem sexualmente falando. Pergunto se você atrai o jovem com o seu jeito de ser. Você cativa o adolescente? Quando você fala, seus olhos brilham? Eles percebem que você de fato é ou está apaixonado pelo grupo? Você consegue mantê-lo "antenado" por mais de 15 minutos? Você o escuta com atenção? Você tem tempo para ele? Você fala coisas que o interessa? Você usa todos os meios disponíveis para atingi-lo? O seu linguajar como é? 
Pois é! São detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Antes de falar de Jesus Cristo para um adolescente ou jovem, fale de você próprio. Antes de falar do amor de Jesus Cristo, fale do seu amor e carinho por ele, e que ele pode contar com você sempre. Antes de fazer o jovem criar uma admiração por Jesus, faça primeiro que ele te admire. Antes de tornar Jesus Cristo conhecido e amado, torne-se você para o jovem conhecido e amado. Quando você cativar o jovem, quando o jovem começar a te amar de verdade e identificar em você uma verdadeira pessoa que de fato o ama e se interessa por ele, dai sim, a partir desse momento você poderá falar de Jesus Cristo e o jovem vai aderir a sua proposta. Você acredita nisso? Eu acredito, pois fiz a experiência. Que tal você tentar?


Quando queremos ser os maiorais, o rei da cocada preta; quando queremos falar demais e não ouvir; quando querermos só ensinar e não nos tornamos humildes para aprender com o adolescente e jovem, estamos fazendo sabe o quê? Mirando em nosso próprio pé. Vai puxar o gatilho ou vai querer que um adolescente ou jovem faça???


Um abraço do Brother


@brotherjohnp


 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Como se aquecer nesse inverno?

Aqueça seu coração com gestos de caridade e respeito pelo próximo.
Estamos em uma estação denominada de inverno. O inverno começou no dia 21 de junho e vai até setembro. É um período que a temperatura cai e dependendo de algumas regiões, a temperatura cai mesmo, chegando a temperaturas negativas.
Nesse período muitas Organizações, Associações, Escolas, Paróquias, Agremiações etc fazem campanhas do agasalho. É uma iniciativa louvável, diga-se de passagem, ajudar a esquentar muitas  pessoas que não têm condições de ter um agasalho ou uma casa acolhedora.
Aqui em Curitiba, uma cidade que o frio acontece durante o ano todo, também têm campanhas do agasalho. Até mesmo em alguns lugares, que jamais imaginaria encontrar uma caixa para colocar as doações, eu vi acontecer a campanha, como por exemplo numa academia. No mercado do meu bairro também tem uma caixa. E no posto de gasolina também. Nas escolas eu já vi e também em algumas farmácias. A caixa para colocar as doações estão em todos os lugares. Legal isso. Louvo a iniciativa de todas essas pessoas preocupadas com o bem-estar dessas pessoas menos favorecidas.
Estava no trânsito no sábado. Percebi muito desrespeito de alguns motoristas em relação aos pedestres. Estacionamento em lugares proibidos, em vagas não permitidas, desrespeito a faixa de pedestre etc. Cheguei a presenciar até xingamentos de motoristas aos pedestres que educadamente passavam vagarosamente pelo lugar que era seu de direito, a faixa de pedestre, porém a pressa do motorista fez com que a mão pressionasse a buzina fortemente e vomitasse uma longa lista de palavreados impublicáveis nesse blog. Para mim, o inverno acontece nos 365 dias dessas pessoas.
No shopping, presenciei uma senhora muito distinta, usando uma roupa impecável e jóias caras, humilhando um dos atendentes do Burger King. Seria ela dona da verdade? Ou o salto alto que usava dava este direito a ela? Para mim, o inverno acontece 365 dias na vida dessa senhora distinta.
Em frente a um colégio particular, de renome na cidade, vi 3 adolescentes rindo e debochando de uma senhora que puxava um carrinho abarrotado de papelão e outros lixos, faltando-lhe o fôlego e necessitando de ajuda. Porém, o inverno imperava no corações desses adolescentes, educados em uma escola de elite da nossa sociedade.
No twitter li algumas mensagens de uma adolescente, que sem escrúpulos humilhava o pai e a mãe, só pelo simples fato de não terem permitido ela ir na balada naquela sexta-feira. Mais uma conclusão de que no coração daquela adolescente o inverno estava rigoroso demais.
Poderia relatar aqui inúmeros fatos que mostrariam o inverno de 365 dias na vida de algumas pessoas.
Campanhas de um lado, ajuda de algumas pessoas do outro. Corações aquecidos pela caridade de um lado e corações gelados durante 365 dias do outro.
Afinal, o que está acontecendo? E na sua vida como é o inverno? Apenas uma estação, em que você revisa o seu guarda-roupa, retira e doa o que está sobrando? Ou de fato seu coração é aquecido pela caridade, humildade e compaixão por tantas pessoas que necessitam, às vezes, muito mais do que um simples agasalho, mas de um carinho, de afeto, de amor, perdão, compaixão etc.

Se você é uma dessas pessoas que fica cultivando um inverno em seu coração durante 365 dias no ano, cuidado, você está mirando para baixo e um dia, cedo ou tarde, você estará dando um belíssimo tiro no pé.

Um abraço.

Brother.